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Com as colheitas adiantadas e o clima correndo bem nas principais regiões de produção da Agricultura brasileira, confirmam-se as estimativas de crescimento da safra de grãos 2009/2010. Mais do que a expansão física da maioria das culturas, a expectativa é de avanços significativos na produtividade e de crescimento no valor bruto da produção de 20 dos principais cultivos em todo o país, em relação a 2009.
O Banco do Brasil, como principal financiador da atividade agropecuária, comemora com toda a razão o fato de que se trata da quarta safra seguida de recuperação da renda e simultaneamente melhoria substancial do perfil de endividamento do setor. A recomposição financeira dos produtores foi ancorada em boas safras com preços acima da média e demanda mundial crescente. A recuperação da renda é visível nas feiras e nos bancos, constatou o diretor de Agronegócios, José Carlos Vaz.
De acordo com a avaliação de especialistas da Fundação Getulio Vargas e de empresas de consultoria do Ministério da Agricultura citados em excelente reportagem do jornalista Mauro Zanatta, do Valor Econômico, a dívida dos produtores rurais que era de 16.8 bilhões de reais em 2007, deve reduzir-se para 9.4 bilhões em 2010.
Esses valores se referem às parcelas anuais de amortização de investimentos, dos empréstimos para custeio das lavouras, e financiamentos do Tesouro Nacional.
Fato importante é que a maior redução do passivo dos produtores rurais ocorreu em razão da quitação de dívidas com os fornecedores privados (tradings e vendedores de insumos).
Em cinco anos esses débitos recuaram de 4,1 bilhões de reais para 500 milhões. É um elemento tranquilizador para o financiamento das próximas safras.
As projeções de organizações privadas e dos organismos oficiais é que a geração de renda do setor agrícola será suficiente, já em 2010, para pagar as dívidas dos investimentos (benfeitorias e máquinas) e de custeio da produção.
Para as safras deste ano, o Ministério da Agricultura aponta um crescimento de 3.4% do Valor Bruto da Produção agrícola (da porteira para dentro) em relação a 2009, para um total de 160 bilhões de reais que, se confirmado, será o novo recorde.
Embora São Paulo mantenha o primeiro lugar em valor da produção agrícola, os destaques este ano vão para o Paraná que teve uma recuperação formidável de um ano para outro (e deve superar Mato Grosso como segundo em valor da produção) e o próprio Mato Grosso devido aos extraordinários recordes de produtividade no cultivo (em termos mundiais), além de manter a liderança em volume na produção de soja.
Já colhida a safra americana 2009/2010, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), anotou um rendimento médio de 49,31 sacas de soja por hectare. De acordo com a Conab, o rendimento médio da soja mato-grossense será de 50,6 sacas por hectare na atual safra. Já seria a maior do País e uma das maiores do mundo, mas esse resultado está subestimado.
Segundo a Associação dos Produtores de soja de Mato Grosso, a produtividade média das lavouras no Estado será de 55 sacas/HA e não é difícil encontrar produtores colhendo entre 66 e 68 sacas. Graças a sementes apropriadas desenvolvidas pela Embrapa e à introdução no ano passado da variedade TMG 123, predomina hoje a presença de 4 grãos nas vagens de soja, o que era raro até recentemente. Lamentavelmente, uma parcela substancial do ganho de eficiência desses honestos produtores vai se diluir miseravelmente em 2 mil quilômetros de atoleiros nas rodovias semidestruídas.
Para se ter uma ideia, a última rodovia federal decente do centro-oeste, a BR-364, terminou de ser pavimentada há 30 anos, quando era ministro dos Transportes o coronel Mário Andreazza. Ainda resiste, apesar dos maus tratos.
Parte do ganho do agricultor vai se diluir em 2 mil km de atoleiros em rodovias semidestruídas.
* Autor: Antônio Delfim Netto . Fonte: Jornal DCI de 19/02/2010.
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