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Mudanças
climáticas e não-proliferação na agenda de Obama: Brasil deve
precaver-se
Rio, 4/nov/09 - Em seu discurso proferido no Fórum
de Rodes para o Diálogo de Civilizações, em 9 de outubro último, o
jornalista e ex-diplomata estadunidense Strobe Talbott delineou as
principais diretrizes da política internacional do presidente Barack
Obama. No evento, que contou com a presença do jornalista Lorenzo
Carrasco, do conselho editorial desta Resenha, Talbott, atual presidente
do Brookings Institute, um dos principais think-tanks do setor democrata
do Establishment estadunidense, qualificou Obama como um dos mais
ecumênicos e cosmopolitas presidentes que os EUA já tiveram e fez uma
séria advertência sobre o momento atual da sua presidência. Segundo
ele:
O que o presidente Obama está tentando fazer agora é traduzir
isso na política e na diplomacia, mas ele está tendo muitas
dificuldades. Nós estamos em um momento dramático e de suspense na
política estadunidense. O presidente Obama está num momento pivotal e,
eu diria, perigoso, da sua presidência. O desfecho deste momento pode
determinar se o seu governo irá durar um mandato ou dois. E o próprio
fato de que uma tal questão até mesmo venha à tona já é espantoso em si
próprio.
Talbott se refere às virulentas disputas intestinas que se
travam no Establishment pelo controle da orientação da política externa na
linha da preservação da hegemonia global estadunidense, da qual a classe
dirigente não parece disposta a abrir mão. Entretanto, as divergências
entre as duas principais orientações que se manifestam entre os herdeiros
dos “neoconservadores” que dominaram o governo de George W. Bush e setores
que buscam alternativas negociadas ao declínio estratégico dos EUA (que
incluem o próprio Talbott); o primeiro grupo, de mentalidade
ostensivamente supremacista e belicista, pressiona por ações agressivas –
até mesmo militares – contra as nações resistentes a tais propósitos,
caso, por exemplo, do Irã e seu programa nuclear.
Adiante, Talbott
(que ocupou o posto de subsecretário de Estado para os países do antigo
bloco soviético no governo Clinton), lista as que considera as duas
tarefas nas quais Obama terá que concentrar o máximo empenho: mudanças
climáticas e a não-proliferação nuclear. Em tom apocalíptico,
afirmou:
(...) Essas duas mega-ameaças são existenciais em sua
natureza, ou seja, elas ameaçam, se não a sobrevivência da nossa
espécie, a sobrevivência da empreitada humana em sua presente forma. Em
outras palavras, nossa civilização. No caso das mudanças climáticas,
temos que tomar medidas agora para deter o aumento dos gases de efeito
estufa na atmosfera, de modo que o consequente aumento na temperatura
média do planeta não atinja o nível de dois graus centígrados sobre os
níveis pré-industriais. (...) Sobre a outra mega-ameaça, a
proliferação nuclear. Aqui, nós temos que encontrar, já, meios de
limitar a nove o número de Estados com armas nucleares no planeta [EUA,
Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coréia do
Norte]... Se não pusermos um limite agora, na próxima década poderemos
ver-nos ás voltas com uma Terra com 25 ou mais Estados com armas
nucleares.
Entretanto, depois de admitir que os EUA são os maiores
emissores de gases de efeito estufa e o mais poderoso Estado nuclear do
mundo, Talbott fez uma ressalva, ressaltando que, em ambos os temas, a
capacidade de Obama de tomar as medidas necessárias “requer a cooperação e
a aquiescência do Congresso dos EUA”. Isto implicaria no estabelecimento
de uma legislação para estabelecer limites de emissões e um mercado de
carbono e, ao mesmo tempo, que o Senado ratificasse os tratados de
limitação de armas estratégicas com a Rússia (START) e o tratado
abrangente de banimento de testes nucleares, este, rejeitado há dez anos e
que Obama pretende reapresentar em 2010. E adverte:
(...) Para assegurar a aprovação de uma lei de estabelecimento de
preços de carbono e a ratificação dos dois novos tratados nucleares, o
presidente vai provar ser um mestre da política como a arte do possível.
E isto significa fazer acordos e não se afobando com o processo. Como
resultado, nas mudanças climáticas, o mundo pode ter que esperar até
depois da cúpula [sic] de Copenhague, em dezembro, para ver se os EUA
estão dispostos a se comprometer. (...)
(...) Lidar com as
mudanças climáticas se uma forma efetiva e oportuna irá requerer que
façamos o melhor que pudermos por meio de metas internacionais e limites
vinculantes, estabelecidos em fóruns multilaterais e colocados em
tratados. Mas, também, significam acordos bilaterais do tipo do que os
EUA está trabalhando com a China e também está buscando com a Índia, bem
como iniciativas unilaterais de países individuais e, a propósito,
cidades individuais.
Em suma, o recado de Talbott demonstra que velhos hábitos
(especialmente os hegemônicos) resistem a ser abandonados, mesmo diante de
uma crise sistêmica que a cada dia mostra novas evidências da
disfuncionalidade do “modelo anglo-saxão” das classes dirigentes dos EUA,
baseado no controle privado dos fluxos de moeda e crédito e na supremacia
militar. Atolado em dois conflitos sem solução militar visível, no
Afeganistão-Paquistão e no Iraque, e sem manifestar a disposição de
confrontar o complexo hegemônico, o governo Obama insiste na surrada – e
insustentável - atitude de manter “áreas de influência” e de exigir de
outros países um comportamento diferente do seguido pelos EUA.
Em
uma clara demonstração de tal atitude, em 3 de novembro, o Senado
estadunidense transferiu para 2010 a discussão e votação de uma lei de
emissões de carbono, o que afasta de vez qualquer possibilidade de que a
15ª. Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP-15), que
se realizará em dezembro, em Copenhague, possa produzir algum acordo
vinculante sobre as emissões, como era a expectativa do aparato
ambientalista internacional. Com isso, dificilmente sairá da conferência
algo mais do que algum tipo de acordo “tapa-buraco”, apenas para manter no
ar o balão do aquecimento global antropogênico e toda a pletora de
interesses políticos e econômicos estabelecidos ao seu redor.
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“Baruch”
Obama?
Rio, 4/nov/09 - Na semana passada, o Brasil pode presenciar em seu
território evidências inequívocas de que o governo do presidente Barack
Obama, apesar do seu discurso de mudanças, não tem qualquer proposta para
a superação do impasse existencial do impulso hegemônico dos EUA, senão o
recurso aos surrados jogos de poder envolvendo o estabelecimento de
estruturas de “governo mundial” (vide a nota seguinte). O palco
privilegiado foi o Seminário Internacional sobre Não-Proliferação Nuclear
e Desarmamento: O Futuro do TNP, realizado pelo Centro Brasileiro de
Relações Internacionais (CEBRI), em 29-30 de outubro, no Rio de Janeiro
(RJ). Na oportunidade, foi possível experimentar diretamente uma amostra
das pressões políticas contra o programa nuclear brasileiro, que tendem a
se avolumar, na medida em que ele ganha massa crítica e se converte num
importante vetor de capacitação científico-tecnológica e do próprio
crescimento da presença do País no cenário mundial.
A mensagem foi
clara: o Brasil “não precisa” ampliar o seu programa de enriquecimento de
urânio e deve “dar um exemplo”, assinando os Protocolos Adicionais do
Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que passará por uma revisão em
2010. Em troca, os EUA propõem o estabelecimento de um “banco
internacional de urânio enriquecido” sob a responsabilidade da Agência
Nacional de Energia Atômica (AIEA), que se encarregaria de todas as
atividades de enriquecimento de urânio e a posterior disposição do
combustível utilizado nos reatores nucleares. Na prática, sob o pretexto
de evitar a não-proliferação nuclear, o esquema implicaria na consolidação
definitiva de um regime de “apartheid tecnológico”, que tem um objetivo
estratégico do Establishment oligárquico anglo-americano desde o final da
II Guerra Mundial, quando os EUA emergiram como a única potência
nuclear.
Em 1946, os EUA apresentaram na Organização das Nações
Unidas (ONU) uma proposta de criação de uma Autoridade para o
Desenvolvimento Atômico (ADA), entidade que deveria deter um virtual
controle sobre todas as jazidas de minérios nucleares (urânio e tório) e
todas as instalações nucleares do mundo. Apresentada pelo financista
Bernard Baruch, amigo particular e financiador de campanha do presidente
Harry Truman, a proposta ficou conhecida como Plano Baruch e as suas
inconsistências, entre as quais o atropelo das soberanias nacionais dos
seus eventuais Estados membros, causaram a sua rejeição pelo plenário da
ONU, com a URSS liderando a oposição ao plano.
É relevante observar
que um dos principais opositores do Plano Baruch foi o almirante Álvaro
Alberto da Mota e Silva, o grande pioneiro do estabelecimento de uma
estrutura de pesquisas nucleares no Brasil. Eleito para presidir a
Comissão de Energia Atômica da ONU (embrião da AIEA), o brasileiro
desmantelou o plano ao lograr que a Comissão aprovasse uma emenda
especificando que a propriedade internacional das minas e minérios
radiativos não seria um item obrigatório. Tamanha ousadia e os seus
esforços posteriores para dotar o Brasil de uma capacitação
científico-tecnológica na área nuclear lhe valeria, nos anos seguintes, um
feroz antagonismo por parte dos EUA e seus agentes de influência no
País.
No seminário do CEBRI, o recado de Washington foi
transmitido, inicialmente, pela embaixadora Susan Burk, representante
especial da Casa Branca para assuntos de não-proliferação nuclear, que
também esteve em Brasília para uma reunião com as suas contrapartes
brasileiras. Segundo a Folha de S. Paulo (29/10/2009), o Itamaraty
ter-lhe-ia informado que tanto a criação do banco de urânio como a adesão
aos Protocolos Adicionais são vistos como ingerência na soberania
nacional. Em entrevista a O Globo de 2 de novembro, ela foi diplomática,
dizendo apenas que o banco seria uma oportunidade para que países que
tenham reatores nucleares não precisem investir em dispendiosas
instalações de enriquecimento de urânio e de disposição dos resíduos
nucleares.
Menos diplomático, o presidente do Ploughshares Fund,
Joseph Cirincione, questionou abertamente as intenções nucleares
brasileiras. O Ploughshares Fund é um dos numerosos think-tanks
estadunidenses que atua como linha auxiliar do governo na promoção de
certas diretrizes políticas de interesse do Establishment, e Cirincione é
um veterano representante oficioso de tais posições. Portanto, suas
palavras representam os poderes estabelecidos e não as de um acadêmico
instalado em uma organização não-governamental falando em caráter
particular. E ele foi direto: “Não há justificativa econômica para o
Brasil prosseguir o enriquecimento de urânio. Há muita disponibilidade de
combustível para reatores (Folha de S. Paulo,
30/10/2009).”
Cirincione disse com todas as letras que vê riscos de
que o Brasil pretenda construir artefatos nucleares a partir dos programas
de enriquecimento de urânio e de construção de submarinos nucleares.
Ademais, afirmou que a recusa a aderir aos Protocolos Adicionais “cria um
modelo negativo, por exemplo, para Egito e Arábia Saudita, que estão
pensando em ter seus programas”.
Na mesma linha, foi o belga Pierre
Goldschmidt, ex-diretor de Salvaguardas da AIEA e atual pesquisador da
Fundação Carnegie na Bélgica. Com a arrogância típica dos altos serviçais
do Establishment, Goldschmidt chegou a questionar a proibição
constitucional de desenvolvimento de armas nucleares pelo Brasil: “Afirmar
que o Brasil proíbe em sua Constituição o desenvolvimento de armas
atômicas não é mais suficiente (Folha de S. Paulo,
31/10/2009).”
Semelhante investida gerou uma firme reação de alguns
participantes brasileiros. O ex-diplomata e diretor do CEBRI Marcos de
Azambuja foi efusivamente aplaudido ao afirmar:
O Brasil cumpre todas as normas da AIEA e acredito que
eventualmente assinará o Protocolo Adicional, mas não fará isso diante
de uma intimação e acusações que não são legítimas... O risco de
proliferação nuclear não virá do Brasil. Somos obedientes ao TNP e não
devemos satisfações. Somos o elemento de paz e segurança no continente.
O Brasil acha que faz mais do que devia e que a bola agora está do outro
lado do campo. Embora seja a favor de que o Brasil assine o protocolo,
não tenho certeza se devemos fazê-lo agora ou usar nossa posição como
uma estratégia para forçar a quem tem armas a se desarmar (Jornal do
Brasil, 31/10/2009).
O
presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias
Gonçalves, ironizou: “O Brasil é um novo jogador que entra no esquema. E
um jogador muito forte, porque somos um dos três países do mundo que têm
urânio e capacidade de enriquecimento... O que é econômico? Deixar outras
pessoas virem ao país, explorarem o nosso urânio e o
levarem?”
Ademais, Gonçalves disparou uma farpa contra os
representantes do poder hegemônico: “Temos um controle muito rígido. É
impossível a hipótese de enriquecer sem que a AIEA fique sabendo. Todas as
nossas instalações nucleares estão sob salvaguardas da AIEA, inclusive as
militares, um dos poucos casos no mundo.”
Outro ponto de realidade
no seminário veio do presidente do Centro Russo para Estudos de Políticas
e consultor do Ministério da Defesa da Federação Russa, Vladimir Orlov,
que disse sem meias palavras que os arsenais nucleares de Israel e do
Paquistão (ambos não-signatários do TNP) constituem problemas mais graves
do que o controvertido programa de enriquecimento de urânio do Irã. “Temos
que mudar a lista de prioridades. O Irã está lá, mas não é o número um.
Israel, sim, pode explodir a conferência [referindo-se à próxima revisão
do TNP], e o Paquistão é um Estado falido com armas nucleares”, disse ele
(Folha de S. Paulo, 30/10/2009).
Assim como já havia ocorrido com a
celeuma criada pela AEIA em torno da publicação do livro A Física dos
explosivos nucleares, do físico Dalton Ellery Girão Barroso (Resenha
Estratégica, 9/09/2009), a arrogância e a agressividade dos representantes
do Establishment hegemônico no seminário do CEBRI são exemplares das
pressões rapidamente crescentes que as lideranças brasileiras terão que
contra-arrestar no futuro imediato. Felizmente, as reações decididas de
alguns dos debatedores nacionais sugere uma conscientização também
crescente de que o País pode e deve estabelecer o seu caminho de forma
plenamente soberana, deixando definitivamente para os livros de história a
velha tendência de suas elites domésticas ao atrelamento semiautomático às
potências hegemônicas de plantão.
Com respeito aos EUA, o mundo
certamente agradeceria se, em vez de tentar reviver o fantasma do Plano
Baruch, o presidente Barack Obama orientasse a ainda enorme capacidade
científico-tecnológica de seu país para um esforço de desenvolvimento
pacífico da energia nuclear em todas as suas formas (a maneira mais segura
de evitar a não-proliferação) e eletrificação em escala mundial.
Entretanto, se insistir em iniciativas precocemente condenadas como a do
seu homófono, corre o risco de aprofundar ainda mais o desgaste de uma
presidência que começou sob o signo e as esperanças universais de
mudança.
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O pré-sal e o
"congelamento do poder mundial"
Rio, 31/out/09 – Semana passada, esteve em visita por aqui o
hiperambientalista Lester Brown para lançar seu novo livro, “Plano B 4.0 -
Mobilização para Salvar a Civilização”.
Brown,
fundador da ONG quase governamental Worldwatch Institute (WWI) e
atualmente abrigado no Earth Policy Institute, sediado em Washington, não
perdeu a oportunidade para tentar desancar a exploração do petróleo da
camada pré-sal. Em sua conhecida visão ultra-malthusiana, Brown
“aconselha” o Brasil a não se “perder” nas brumas das promessas do pré-sal
e manter firme sua aposta nas energias renováveis: "Encontrar mais
petróleo agora pode ser um indicador de progresso. Mas, até conseguir
tirá-lo do fundo do mar, talvez ele já faça parte da história", disse ele.
[1]
Seu plano B,
proposto em seu novo livro, não poderia ser outro senão a imposição de uma
“revolução tributária” para majorar o preço dos combustíveis fósseis, como
petróleo e carvão, ao embutir o custo dos "danos ambientais" por eles
provocados: "Nos Estados Unidos, a gasolina custa US$ 3 o galão, mas o
preço honesto seria de US$ 12, se refletisse os custos dos combustíveis
fósseis para a sociedade", diz Brow, exigindo um aumento anual nos
impostos de US$ 0,12 por litro de combustível, para estimular a adoção de
fontes renováveis de energia.
Lamentavelmente, a pregação de Brown e outros expoentes do
ambientalismo geopolítico para impor uma inviável economia de “baixo
carbono” foi devidamente absorvida pelo ministro Carlos Minc. Em julho
passado, Minc fez sua primeira investida contra o pré-sal ao chamar a
atenção, com visível cinismo, a “um pequeno detalhe”, que o petróleo lá
existente contém de 3 a 4 vezes mais CO2 do que o seu equivalente das
demais áreas. “Vai ter de ter CCS...”, disse Minc, referindo-se à
abreviatura em inglês da expressão captura e sequestro de carbono, que
qualifica um conjunto de métodos caríssimos e ainda não demonstrados para
separar o dióxido de carbono (CO2) de fontes emissoras, como usinas
termelétricas, e armazená-lo de forma permanente. [2]
De fato, a
cruzada de Minc contra os combustíveis fósseis no Brasil começou em abril
passado ao baixar a famigerada instrução normativa n°7 (IN-7) obrigando
que os projetos de geração elétrica a partir destas fontes compensassem
pelo menos 1/3 das emissões de CO2 por meio de reflorestamento e no máximo
2/3 através de investimentos em geração de energia renovável.
[3]
Para
justificar essa insana “caça aos combustíveis fósseis”, Minc usou os
mesmos argumentos de Brown ao afirmar que o principal objetivo da nova
“taxação de CO2” é encarecer o custo das fontes de energia poluentes para
tornar o uso das “não poluentes” – eólica e solar – mais baratas e
acessíveis.
Sintomaticamente, em seu relatório anual de 2006 sobre o “estado do
mundo” (“State of the World 2006”), o WWI focaliza especialmente o forte
crescimento econômico da China e da Índia, taxando-o como uma das ameaças
mais sérias ao meio ambiente no mundo. "Se o já formidável crescimento
econômico da China e da Índia continuar no ritmo dos últimos anos e
começar a consumir os recursos disponíveis e a produzir poluição tanto
quanto os Estados Unidos - num nível per capita - serão necessários dois
planetas Terra somente para manter aquelas duas economias", afirma o
relatório. Ao atacar a exploração do petróleo do pré-sal, Brown e
seguidores querem impedir que o Brasil utilize os enormes recursos daí
advindos para alavancar seu desenvolvimento. Querem, sem suma, impor um
“congelamento do poder mundial”, como bem definido pelo saudoso embaixador
brasileiro Araújo Castro para expressar as intenções dos países
desenvolvidos de manterem os demais em um estágio inferior de
desenvolvimento. [4]
Notas: [1]Pré-sal pode tirar Brasil do rumo certo, diz Lester
Brown, O Estado de S. Paulo, 30/10/2009 [2]CCS: hora de dar um “basta”
na insânia aquecimentista, Alerta Científico e Ambiental,
11/08/2009 [3]Caça ao CO2, Alerta Científico e Ambiental,
21/03/2009 [4]China e Índia acusadas de ameaçar meio ambiente global,
Alerta Científico e Ambiental, 12/01/2006
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Belo Monte:
Marina Silva "joga a toalha"
Rio, 30/out/09 – Ante à realidade dos fatos e com o período
eleitoral já em curso, a senadora, ex-ministra e pré-candidata à
Presidência da República pelo Partido Verde (PV), Marina Silva, resolveu
sair de cima do muro ambientalista e assumiu, pragmaticamente, que ''Não
há como fugir do aproveitamento energético do rio Xingu''.
Mesmo sem
condená-la abertamente, Marina jamais defendeu a construção da
hidrelétrica de Belo Monte ou outras na região amazônica, alinhando-se, às
vezes abertamente, às ONGs ambientalistas e indigenistas que fazem
campanhas contra obras de infra-estrutura na região. [1]
Agora, a
candidata Marina diz que "Não temos como preterir os recursos hídricos”,
não por causa dos benefícios socioeconômicos advindos do seu
aproveitamento, que não menciona, mas porque o Brasil precisa apresentar
ao mundo metas de redução de emissões de gases causadores do efeito
estufa. Para não chocar em demasia seus correligionários, Marina
acrescenta ser preciso, porém, que a construção de hidrelétricas preveja
um etéreo e retórico Programa de Desenvolvimento Sustentável.
As
declarações da senadora foram feitas durante o lançamento do novo produto
da Serasa Experian – o Conformidade Ambiental – uma espécie de “serasa
verde” para permitir que instituições financeiras avaliem o cumprimento à
legislação ambiental por parte das empresas causadoras de impactos ao meio
ambiente e dos produtores rurais. A Serasa, que muitos pensam tratar-se de
um órgão governamental, ganhou o "Experian" ao ser adquirida pela empresa
britânica de mesmo nome.
Notas: [1]'Não há como fugir do aproveitamento energético do rio
Xingu'', diz Marina, Amazonia.org.br, 29/10/2009
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Transgênicos: EUA propõe "diplomacia científica" com Brasil
para ajudar a África
Rio, 3/nov/09
– Semana passada, a bióloga Nina Fedoroff, assessora especial de ciência
da secretária de Estado Hillary Clinton, esteve em São Paulo para tentar
ampliar as parcerias na área de ciência e desenvolvimento entre
estadunidenses e brasileiros. Em entrevista à “Folha de São Paulo”,
Fedoroff revelou que o presidente Barack Obama abraçou o conceito que
chama de “diplomacia científica” que, segundo ela, é orientada para
fomentar a colaboração internacional entre pesquisadores como forma de
encetar uma ação conjunta sobre temas controversos, como aquecimento
global, “explosão populacional” e transgênicos. [1]
Com posições
bastante questionáveis sobre os dois primeiros temas, é na questão dos
transgênicos que Fedoroff abre um campo de discussões e cooperação
realmente inovadoras ao propor que o Brasil e os EUA façam uma “parceria
diplomática e científica” para ajudar a vencer a resistência dos países
africanos aos vegetais geneticamente modificados para que tenham um
impacto positivo na segurança alimentar do mundo.
Para
Fedoroff, os transgênicos (OGMs) são
"tremendamente importante porque pode nos permitir usar a
biologia molecular não apenas nos nossos dois países ricos, mas para nos
unir e ajudar países onde a produtividade agrícola não teve tanto apoio
da ciência como o que existe no Brasil e nos EUA. Nesse ponto, existem
diferenças enormes, particularmente na África. Porque a rejeição da
Europa aos OGMs, que não é cientificamente fundamentada, mas é muito
forte, tem criado um efeito extremamente negativo na possibilidade de
usar essas técnicas na África, onde elas são muito necessárias. E uma
faceta maravilhosa dessas tecnologias é que elas independem de escala:
ajudam o pequeno produtor tanto quanto o grande. Um dos objetivos da
minha vinda é favorecer essa colaboração, e tivemos discussões muito
ricas sobre como os setores público e privado podem colaborar nisso,
unindo-se para aumentar a produtividade em países que ainda não chegaram
lá".
Como se
recorda, as mesmas ONGs anticiência que fizeram campanhas contra os
transgênicos no Brasil, capitaneadas pelo Greenpeace, foram as mesmas que
“convenceram” governos de países africanos a rejeitar ajudas humanitárias
em 2002, quando, por exemplo, condições climáticas adversas se abateram
sobre a Zâmbia e outros países do sudeste africano criando um contingente
de 13 milhões de pessoas famintas. [2]
Parte da
ajuda humanitária veio do governo americano, que doou 27 mil toneladas de
milho, só que ele era transgênico. O governo de Zâmbia preferiu ver
pessoas morrerem de fome a arriscar-se que o milho doado fosse
eventualmente plantado e “contaminasse” a lavoura do país, que depende de
exportações agrícolas para países europeus que recusavam qualquer
resquício de grãos geneticamente modificados.
Andrew
Natsios, então diretor da USAID, atacou as ONGs ambientalistas: “Estes
grupos podem fazer este tipo de jogo com os europeus, que estão de barriga
cheia, mas é revoltante e vil vê-los fazer isto aqui, quando vidas de
africanos estão em jogo”. Segundo notícias então divulgadas pela imprensa,
o Greenpeace International, a Friends of the Earth (Amigos da Terra) e
outras ONGs estiveram fazendo lobby ativamente junto ao governo da Zâmbia
e outros países afetados pela fome para rejeitarem alimentos transgênicos.
Como então resumiu um observador em Johhanesburgo, “A mensagem de morte do
Greenpeace foi clara: ‘Vocês de pele mais escura podem ficar famintos,
envenenar seu solo e sua biodiversidade até que nós, sábios Bwanas brancos
da Europa, decidamos que grãos transgênicos são aceitáveis’”.
Como o
Greenpeace e caterva foram exemplarmente derrotados por aqui, tem razão a
bióloga Fedoroff em propor que a comunidade científica brasileira
transfira sua “tecnologia” com ONGs a países africanos para que eles
possam também se beneficiar desse tremendo da ciência na produção de
alimentos.
Notas: [1]Brasil pode convencer África a aceitar os
transgênicos, Folha de São Paulo, 02/10/2009 [2]O milho transgênico e o
fúnebre prontuário do Greenpeace, Alerta Científico e Ambiental,
19/04/2007
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